Vestibular do meio do ano está chegando, e como todo mundo sabe, pra passar, além de fazer boa prova, tem que tirar no mínimo o valor de corte da redação. Mas muita gente tem dúvidas do que escrever, do que abordar em uma redação, e nós do Tabaco Aditivado, como sempre pensando em nossos leitores, vamos postar algumas coisas sobre redação, essa eu encontrei no Caderno Vestibular do Jornal A Tarde e espero que seja de grande ajuda, pois mostra o que o pessoal corrige realmente quer...
O tema é: “A democracia envelheceu ou o homem perdeu o senso de respeito a seu semelhante?” Tempo: 100 minutos. No vestibular, poderá ser ainda menor. ”A democracia é o princípio que, ao unir as liberdades individuais e coletivas do cidadão, permite a troca e o diálogo político, sem retirar do Estado o poder de decisão em prol do bem-estar da sociedade“.
Dessa forma Luíza Sampaio, 17, aluna do Anchieta, começa o texto, e segue com uma análise histórica dos regimes socialista e capitalista. Seu professor, Evert Reis, enxerga, já na introdução, “uma redação de nível bastante competitivo. Primeiro ela define democracia, para, em seguida, responder de maneira crítica que nunca existiu, de fato, um regime democrático no planeta. A linguagem é formal, elegante, e a argumentação, criativa”.
Para entender o que faz uma redação ser boa, o Caderno Vestibular procurou professores do Thales de Azevedo, do Cefet e do Anchieta, melhores escolas públicas estadual, federal e particular de Salvador, segundo o Exame Nacional do Ensino Médio.
É opinião geral de que o conteúdo é uma das partes mais importantes. Mas Evert alerta: redação tem que ter técnica. Ser concisa, coerente, organizar bem idéias e ter correção gramatical.
Para tanto, o esquema ”introdução, desenvolvimento, conclusão” pode ser uma escora, mas não passa disso. O preparo de um texto é um exercício do senso crítico. Por isso, ”não existe fórmula que dê certo sem leitura”, vaticina a professora Conceição Araújo, do Cefet. “Ninguém vai escrever sobre o que não sabe”.
No Cefet se ensina filosofia e sociologia, matérias que a partir do ano que vem voltarão a ser obrigatórias em todas as escolas públicas. ”Utilizo muito os conhecimentos que adquiri com essas disciplinas para escrever redações”, diz Mauro Tupiniquim, 17, aluno de Conceição.
No seu último texto, sobre efeito estufa, Mauro citou o Furacão Katrina, o derretimento das calotas polares e o predomínio do capitalismo com o fim da guerra fria. ”Só quem sabe o que está acontecendo tem algo a dizer. Por isso a leitura é tão importante”, explica Conceição.
Vestibulares – Luíza e Mauro têm lido os livros dos processos seletivos, jornais e revistas. No 2º ano, em 2007, ela passou para administração na Ufba. Mauro foi aprovado na primeira fase de medicina da federal, mas perdeu na segunda. ”Agora é hora de fazer essa proeza. Não tem como não ficar nervoso”.
Redação é a única prova feita por candidatos a todos os cursos, de matemática a letras. O exame é uma exigência do Ministério da Educação [MEC]. Quem zera a prova, perde no vestibular.
Para saber o que as universidades esperam dos candidatos, conversamos com os responsáveis pelas provas da Ufba, Consultec, Fuvest e Ita. ”Saber ler e escrever bem é uma necessidade de qualquer profissional. No ITA, queremos formandos capazes de interpretar textos e realidades sociais, políticas e culturais”, conta Luiz Rossato, chefe da seção de concursos da instituição, famosa pelos cursos de ciências exatas.
Ana Carla Cruz, 16, estuda no Thales e vai fazer vestibular para engenharia química. Ela é uma das melhores alunas de redação da professora Shirleys Arantes. Ana sempre gostou de ler e de química. Está fazendo cursinho e terminando de ler Equador, do português Miguel Sousa Tavares, um dos livros cobrados. ”A ênfase dos professores é no vestibular”.
Rascunho – Luíza faz vários rascunhos antes de chegar a redação final. ”Eu me preocupo muito em como dizer o que quero. Posso reescrever uma frase várias vezes, para dizer a mesma coisa de formas diferentes”. Os professores não são contra o rascunho, mas aconselham não demorar muito para escrever o texto final, já que o tempo no vestibular é limitado. Evert diz que quanto mais textos o aluno faz, mais rápido fica. Ana Carla recebe a mesma orientação.
Para tudo dar certo no dia do vestibular, Conceição sugere fazer um esquema, no papel, que responda às questões: ”o que eu sei sobre esse assunto? Quais as informações mais recentes? Como posso contribuir contra ou a favor?”
”É o esqueleto da redação e me parece mais eficaz e prático que o rascunho“.
Professores discordam dos critérios de correção
Em todas as universidades, os exames são elaborados por uma banca de professores formados em letras, que não trabalham com vestibulandos ou terceiranistas. Nas provas, predominam os pedidos de dissertações. Maria Thereza Rocco, consultora especial da Fuvest responsável pela prova de português, conta que o modelo apresenta ao aluno o que encontrará na universidade, já que a linguagem acadêmica é dissertativa.
Na Ufba, a prova é feita somente na segunda fase do processo seletivo e equivale a 8,3% do total de pontos do vestibular. Segundo o serviço de seleção da universidade, nos últimos três anos, 80% das notas ficaram entre 2 e 6. Apenas 1% ficaram entre 8 e 10, enquanto 4% zeraram. No Ita, a última vez que alguém tirou a nota máxima foi em 2003.
Os critérios para estabelecer essas notas, contudo, são discutíveis. Para os professores Evert e Shirley, os vestibulares equilibram em suas correções a valorização do formato e do conteúdo. Conceição não tem a mesma opinião. ”Deveriam ser mais explícitos. Entendo que corrigir tantas redações seja complicado e que é uma forma de peneirar, mas acho difícil compreender algumas correções”.
Temas – Os temas não seguem uma linha em nenhuma das instituições consultadas. Não existe um hábito de abordar assuntos regionais, por exemplo. Os últimos temas da Uneb, por exemplo, abordavam direitos humanos [2008], preconceito [2007] e o futuro do planeta [2006]. O próximo, só a Consultec sabe.
A maior parte dos temas parte de um conceito presente na prova de português. Nenhum professor quis se arriscar a chutar assuntos possíveis para os próximos vestibulares. Para eles, as possibilidades independem da exposição do assunto em jornais ou na TV. “O ideal é se informar sobre tudo”, justificou Evert.
Para atingir a maior parte dos temas possíveis, Shirley trata das questões sociais, numa abordagem ampla. “Violência, preconceito, tudo isso está presente na sociedade, e é isso que costuma cair no vestibular“.
O tema é: “A democracia envelheceu ou o homem perdeu o senso de respeito a seu semelhante?” Tempo: 100 minutos. No vestibular, poderá ser ainda menor. ”A democracia é o princípio que, ao unir as liberdades individuais e coletivas do cidadão, permite a troca e o diálogo político, sem retirar do Estado o poder de decisão em prol do bem-estar da sociedade“.
Dessa forma Luíza Sampaio, 17, aluna do Anchieta, começa o texto, e segue com uma análise histórica dos regimes socialista e capitalista. Seu professor, Evert Reis, enxerga, já na introdução, “uma redação de nível bastante competitivo. Primeiro ela define democracia, para, em seguida, responder de maneira crítica que nunca existiu, de fato, um regime democrático no planeta. A linguagem é formal, elegante, e a argumentação, criativa”.
Para entender o que faz uma redação ser boa, o Caderno Vestibular procurou professores do Thales de Azevedo, do Cefet e do Anchieta, melhores escolas públicas estadual, federal e particular de Salvador, segundo o Exame Nacional do Ensino Médio.
É opinião geral de que o conteúdo é uma das partes mais importantes. Mas Evert alerta: redação tem que ter técnica. Ser concisa, coerente, organizar bem idéias e ter correção gramatical.
Para tanto, o esquema ”introdução, desenvolvimento, conclusão” pode ser uma escora, mas não passa disso. O preparo de um texto é um exercício do senso crítico. Por isso, ”não existe fórmula que dê certo sem leitura”, vaticina a professora Conceição Araújo, do Cefet. “Ninguém vai escrever sobre o que não sabe”.
No Cefet se ensina filosofia e sociologia, matérias que a partir do ano que vem voltarão a ser obrigatórias em todas as escolas públicas. ”Utilizo muito os conhecimentos que adquiri com essas disciplinas para escrever redações”, diz Mauro Tupiniquim, 17, aluno de Conceição.
No seu último texto, sobre efeito estufa, Mauro citou o Furacão Katrina, o derretimento das calotas polares e o predomínio do capitalismo com o fim da guerra fria. ”Só quem sabe o que está acontecendo tem algo a dizer. Por isso a leitura é tão importante”, explica Conceição.
Vestibulares – Luíza e Mauro têm lido os livros dos processos seletivos, jornais e revistas. No 2º ano, em 2007, ela passou para administração na Ufba. Mauro foi aprovado na primeira fase de medicina da federal, mas perdeu na segunda. ”Agora é hora de fazer essa proeza. Não tem como não ficar nervoso”.
Redação é a única prova feita por candidatos a todos os cursos, de matemática a letras. O exame é uma exigência do Ministério da Educação [MEC]. Quem zera a prova, perde no vestibular.
Para saber o que as universidades esperam dos candidatos, conversamos com os responsáveis pelas provas da Ufba, Consultec, Fuvest e Ita. ”Saber ler e escrever bem é uma necessidade de qualquer profissional. No ITA, queremos formandos capazes de interpretar textos e realidades sociais, políticas e culturais”, conta Luiz Rossato, chefe da seção de concursos da instituição, famosa pelos cursos de ciências exatas.
Ana Carla Cruz, 16, estuda no Thales e vai fazer vestibular para engenharia química. Ela é uma das melhores alunas de redação da professora Shirleys Arantes. Ana sempre gostou de ler e de química. Está fazendo cursinho e terminando de ler Equador, do português Miguel Sousa Tavares, um dos livros cobrados. ”A ênfase dos professores é no vestibular”.
Rascunho – Luíza faz vários rascunhos antes de chegar a redação final. ”Eu me preocupo muito em como dizer o que quero. Posso reescrever uma frase várias vezes, para dizer a mesma coisa de formas diferentes”. Os professores não são contra o rascunho, mas aconselham não demorar muito para escrever o texto final, já que o tempo no vestibular é limitado. Evert diz que quanto mais textos o aluno faz, mais rápido fica. Ana Carla recebe a mesma orientação.
Para tudo dar certo no dia do vestibular, Conceição sugere fazer um esquema, no papel, que responda às questões: ”o que eu sei sobre esse assunto? Quais as informações mais recentes? Como posso contribuir contra ou a favor?”
”É o esqueleto da redação e me parece mais eficaz e prático que o rascunho“.
Professores discordam dos critérios de correção
Em todas as universidades, os exames são elaborados por uma banca de professores formados em letras, que não trabalham com vestibulandos ou terceiranistas. Nas provas, predominam os pedidos de dissertações. Maria Thereza Rocco, consultora especial da Fuvest responsável pela prova de português, conta que o modelo apresenta ao aluno o que encontrará na universidade, já que a linguagem acadêmica é dissertativa.
Na Ufba, a prova é feita somente na segunda fase do processo seletivo e equivale a 8,3% do total de pontos do vestibular. Segundo o serviço de seleção da universidade, nos últimos três anos, 80% das notas ficaram entre 2 e 6. Apenas 1% ficaram entre 8 e 10, enquanto 4% zeraram. No Ita, a última vez que alguém tirou a nota máxima foi em 2003.
Os critérios para estabelecer essas notas, contudo, são discutíveis. Para os professores Evert e Shirley, os vestibulares equilibram em suas correções a valorização do formato e do conteúdo. Conceição não tem a mesma opinião. ”Deveriam ser mais explícitos. Entendo que corrigir tantas redações seja complicado e que é uma forma de peneirar, mas acho difícil compreender algumas correções”.
Temas – Os temas não seguem uma linha em nenhuma das instituições consultadas. Não existe um hábito de abordar assuntos regionais, por exemplo. Os últimos temas da Uneb, por exemplo, abordavam direitos humanos [2008], preconceito [2007] e o futuro do planeta [2006]. O próximo, só a Consultec sabe.
A maior parte dos temas parte de um conceito presente na prova de português. Nenhum professor quis se arriscar a chutar assuntos possíveis para os próximos vestibulares. Para eles, as possibilidades independem da exposição do assunto em jornais ou na TV. “O ideal é se informar sobre tudo”, justificou Evert.
Para atingir a maior parte dos temas possíveis, Shirley trata das questões sociais, numa abordagem ampla. “Violência, preconceito, tudo isso está presente na sociedade, e é isso que costuma cair no vestibular“.





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